Nos dias atuais, com a taxa de juros elevada, há uma pressão grande do WACC no fluxo de caixa das empresas ao descontá-lo a valor presente. Isto se dá pela composição do custo de capital e sua interrelação com a taxa básica de juros da economia brasileira e de outras economias importantes, como dos Estados Unidos.
O custo de capital próprio e o custo de capital de terceiros, que compõem o WACC da empresa, são impactados diretamente pela taxa de juros. A fórmula do WACC é:
WACC=(ke×we)+[kd×(1-t)×wd]
Onde:
- Ke = custo do capital próprio.
- Kd = custo do capital de terceiros.
- MVE = market value of equity, ou valor de mercado do capital da empresa.
- MVD = market value of debt, ou valor de mercado da dívida da empresa.
- t = alíquota de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido.
O custo de capital próprio (ke) é composto por:
Ke Nominal=[1+(Rf+β.MRP + CR +SP)] x (1+Inflação Br)/(1+Inflação EUA).
Onde:
- Rf = risk free, ou taxa livre de risco.
- B = beta.
- MRP = market risk premium, ou prêmio de mercado.
- CR = country risk, ou risco país.
- SP = Size Premium, ou risco tamanho.
Como a taxa livre de risco poderá ser representada pela taxa oferecida pelo governo norte-americano (T-Bond 30 anos), como neste caso, ou como simplificação direta, pela Selic brasileira, excluindo-se os efeitos de inflação e risco país no CAPM.
Com a recente estabilização da taxa Selic no patamar de 15% a.a, todo o fluxo de caixa projetado da empresa, quando trazido a valor presente para se calcular o valuation através de fluxo de caixa descontados, receberá o impacto direto da taxa elevada.
É comum vermos o valuation de empresas sendo reduzidos em 8% a 10% devido ao novo cenário de juros brasileiro.
Além de afetar diretamente o custo de capital próprio, a elevação da taxa de juros Selic fará com que o custo de capital de terceiros suba também. O custo de captação bancário é correlacionado diretamente com o CDI, que tem relação direta com a Selic. Assim, a elevação do CDI afetará o custo de empréstimos bancários e de debêntures, aumentando, consequentemente, o custo de capital de terceiros (kd).
Estes impactos que comentamos no texto até aqui relacionam-se à metodologia de fluxo de caixa descontado em valuations. Todavia, metodologias como múltiplos de mercado também serão impactadas, pois relacionam-se com o tempo médio de retorno para um investimento em anos de geração de resultado, por exemplo.
Sendo assim, quanto maior o patamar da taxa de juros básica da economia, menor a média de múltiplos que transações de M&A sairão e, por consequência, menores os valuations.
Nos anos de 2021 e 2022, quando a taxa de juros estava baixa, os valuations de empresas eram positivamente afetados, com um WACC bastante reduzido, se comparado a outros períodos.
A taxa de juros mais elevada não afeta somente o valuation da empresa que está querendo ser vendida, mas também a capacidade de financiamento e o custo para a empresa que está comprando. A empresa compradora precisará analisar o impacto dos juros no financiamento da empresa e do fluxo de caixa de seu pagamento.
Sendo assim, normalmente veremos menos transações de M&A quando temos uma taxa de juros mais elevada. Já quando temos uma taxa de juros mais baixa, há uma propensão maior das empresas seguirem o caminho de crescimento inorgânico.
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