Passo a passo para fazer um valuation

Ao escrever este artigo, tenho em mente o objetivo de transferir um pouco do conhecimento acumulado ao longo de anos de trabalho com valuation na GlobalTrevo Consulting (https://globaltrevo.com.br/).

 A GlobalTrevo é uma empresa com foco exclusivo em valuation, M&A e estratégia. Nós atendemos empresas de médio porte, na grande maioria das vezes. Trabalhamos com os mais diversos segmentos, o que nos dá uma amplitude grande de conhecimento para elaborar valuation de indústrias, empresas de serviços, escolas, hospitais e vários outros segmentos. Até o momento, já realizamos mais de 2.000 valuation de vários tipos e tamanhos de empresas.

Sendo assim, tentarei dividir este artigo em algumas etapas para transformá-lo em um guia para o seu valuation:

  1. Documentos necessários
  2. Análise de mercado
  3. Perspectivas da companhia
  4. Cálculo do WACC
  5. Modelagem financeira
  6. Projeção de longo prazo
  7. Perpetuidade

Vamos lá então!

Os documentos necessários para se fazer um valuation diferem conforme o segmento de atuação da empresa a ser analisada. Todavia, podemos sugerir a seguinte relação como um bom ponto de partida para o seu valuation:

  • Balanços patrimoniais dos últimos cinco anos.
  • Demonstrações dos resultados dos últimos cinco anos.
  • Balancetes analíticos antes do zeramento (ou fechamento) das contas de resultado anuais.
  • Abertura da composição do faturamento por exercício, segmentada por área e produto, incluindo quantidade de produtos, contratos, clientes e o ticket médio.
  • Impostos, devoluções e deduções sobre receita bruta.
  • Folha de pagamento.
  • Custos e Despesas: composição dos outros custos e despesas, abertos nas suas principais linhas.
  • Resultado não-operacional.
  • IR & CSLL: existência de prejuízo fiscal acumulado e base negativa de contribuição social. Descrição dos eventuais impostos diferidos contabilizados.
  • Empréstimos e financiamentos: composição com informações de valor, prazos, vigência, cronograma de amortização, juros e garantias.
  • Imobilizado: histórico, contendo valor bruto original, depreciação acumulada e taxa de depreciação, por classe de ativos.
  • CAPEX: investimento histórico e projetado, incluindo manutenção, melhorias ou ampliação.
  • Capital de giro: prazos médios de recebimentos, pagamentos e estoque.
  • Contrato Social.
  • Apresentação institucional.
  • Contingências fiscais e trabalhistas.

Como se pode perceber, é uma longa lista inicial de informações, mas que cobrirá cerca de 90% da necessidade de informações para elaboração do valuation. A empresa normalmente levará uns três ou quatro dias separando as informações.

Outra etapa importante é a análise do mercado no qual a empresa está inserida. Para se fazer um valuation corretamente, precisaremos entender as perspectivas do mercado, considerando seu crescimento, suas margens médias, a concorrência, novas tecnologias e novos produtos.

Entender como a empresa está envolvida com o seu mercado de atuação também será importante para a projeção de faturamento e rentabilidade. Verificar a força da marca da empresa e quais os seus diferenciais em relação ao mercado tornarão a tarefa de projetar o faturamento da empresa para os próximos cinco anos mais fácil. Esta parte é a base do valuation.

A solicitação de investimentos previstos, do orçamento anual e do plano de negócios da companhia para os próximos anos será importante para que possam ser definidas as perspectivas de evolução da empresa. O modelo financeiro do valuation deverá incluir todas estas informações para que reflita corretamente a melhor visão operacional e financeira para os próximos anos.

Para o cálculo do WACC, usamos o CAPM e a ponderação entre a composição de dívida da empresa e seu capital social. O custo de capital que utilizaremos para trazer o fluxo de caixa a valor presente afetará consideravelmente o resultado do valuation.

Esta metodologia estima o custo de capital próprio a partir do retorno de um ativo sem risco, adicionando-se um prêmio, que representa o retorno adicional requerido pelo acionista por assumir mais risco. Este prêmio é uma função do Beta, que é uma medida de risco sistêmico da empresa ou do setor de atuação da empresa em análise.

Em países em desenvolvimento como o Brasil, é estimado um retorno adicional, representado pelo risco país. Para empresas de menor porte em relação àquelas sobre as quais os parâmetros do CAPM são calculados (empresas abertas, cotadas em diversas bolsas globais), é também estimado um prêmio adicional, em função do risco de tamanho e da operação.

A fórmula do CAPM ajustada pelo risco país e prêmio de tamanho é apresentada abaixo:

Onde:

Rf = risk free, ou taxa livre de risco;

B = beta;

MRP = market risk premium, ou prêmio de mercado;

CR = country risk, ou risco país; e

SP = Size Premium, ou risco tamanho.

Para o WACC a ser considerado no valuation, leva-se em consideração o custo de capital próprio e o custo de capital de terceiros, ponderados pela estrutura de capital da empresa (ou do setor de atuação da empresa), após impostos corporativos e conforme a fórmula abaixo:

Onde:

Ke = custo do capital próprio;

Kd = custo do capital de terceiros;

MVE = market value of equity, ou valor de mercado do capital da empresa;

MVD = market value of debt, ou valor de mercado da dívida da empresa; e

t = alíquota de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido.

Para mais informações, veja também: https://globaltrevo.com.br/taxa-de-juros-valuation/.

A modelagem financeira do valuation deverá considerar desde as premissas operacionais, como número de clientes e ticket médio, passando pela projeção da receita, impostos, custos, despesas, investimentos anuais, capital de giro e fluxo de caixa livre. Considerar também um período longo de análise será muito importante para o valuation correto. Nós adotamos no mínimo cinco anos de histórico e cinco anos de projeção, além do ano atual de análise.

A modelagem financeira deverá refletir a operação da empresa. De nada adiantará fazer projeções nas quais a empresa dobrará de tamanho todos os anos ou aumentará demasiadamente as margens operacionais, se o mercado não aceitará uma participação maior da empresa, por exemplo. A perspectiva de longo prazo deverá ser de normalização do resultado, para que possamos calcular corretamente a perpetuidade do valuation.

Aqui na GlobalTrevo, usamos normalmente o g real da perpetuidade igual a zero em nossos valuation. Para poucos casos, colocamos um crescimento real na perpetuidade. Fazemos isto, pois preferimos avançar com a projeção até um maior número de períodos, onde conseguiremos chegar na normalização do crescimento e do resultado.

Bom, espero que possa ter contribuído com um passo a passo para se fazer um valuation. Para mais informações, veja também o nosso site: https://globaltrevo.com.br/valuation/.

Compartilhe nas redes sociais:

Conteúdo estratégico para o seu negócio no blog da GlobalTrevo.

Valuation como ferramenta de gestão e negociação.

Valuation de Empresas: muito além do preço, uma ferramenta de gestão e negociação

Valuation correto em M&A agrega valor.

Valuation no M&A: o perigo da sobrevalorização vs. a força de um valuation assertivo

GlobalTrevo Sucesso de seu M&A

O Impacto da GlobalTrevo no Sucesso de seu M&A: do Valuation à Conclusão da Transação